Para além do TMS
Data: 11/12/2015

*Por Jorge Serrano Pinto

Desde sempre que as questões logísticas tiveram uma relação muito próxima ao transporte de bens. Em determinados momentos da história da humanidade, a eficácia da logística de transportes fez a diferença entre o ganhar ou perder uma batalha (ou, até mesmo, uma guerra). Era necessário movimentar as cargas corretas, utilizando os meios adequados, no tempo certo, por meio do melhor percurso (que poderia não ser o ótimo), para chegarem atempadamente ao seu destino.

Todos esses problemas foram trabalhados matematicamente e, desde cedo, as organizações empresariais mais avançadas começaram a entender que poderiam tirar partido de todas as práticas e modelos que foram sendo desenvolvidos. Afinal, uma empresa que tem a necessidade de entregar os seus produtos aos seus clientes tem uma problemática muito semelhante à anteriormente exposta.

Assim, incorporando sucessivos avanços tecnológicos, os sistemas para a gestão de transportes, chamados Transportation Management System (TMS), foram melhorando e aumentando o escopo do desafio inicial: como transportar uma mercadoria do ponto A para o ponto Z? Isso foi possível por meio da inclusão de mais e mais variáveis e restrições.

Por exemplo, quais os tipos de transporte deverão ser utilizados (considerando, entre outras restrições, a sua capacidade máxima de peso e volume), quais os motoristas disponíveis e qualificados para fazerem o transporte, qual o melhor roteiro para esse mesmo transporte, uma vez que, entre o ponto A e o Z, poderemos ter de fazer paragens nos pontos intermédios B, C, D (onde se poderá descarregar e/ou carregar material) etc. Não é difícil pensarmos em mais uma dúzia de condições básicas para serem atendidas.

Aliada à evolução dos modelos matemáticos, a utilização generalizada de computadores pelas empresas proporcionou uma maior e melhor capacidade de incorporação de regras de negócio, nas quais se incluem as tais restrições e, também, acelerou e melhorou o planejamento por meio da inclusão de mais variáveis. Aliás, é na área do planejamento que realmente se prevê uma das principais evoluções dos sistemas TMS. Os meios científicos e tecnológicos já existiam, estava faltando, apenas, o aumento das variáveis, porque quanto maior for o número de variáveis que consigamos manipular, mais próximo da realidade conseguirá ser o nosso planejamento.

Um exemplo clássico dessas variáveis está presente nos mapas que, atualmente, todos usamos nos sistemas GPS, nos nossos carros. Esses sistemas começaram por fazer “simples” planejamentos de rota, com base nas distâncias conhecidas, e cedo começaram a melhorar a sua precisão, quando passaram a considerar, por exemplo, as velocidades máximas permitidas nas vias (dados estáticos) ou os engarrafamentos nos percursos planejados (dados dinâmicos, alimentados em tempo real).

Seria um desperdício se todas essas informações não fossem utilizadas pelos sistemas TMS, para responder, de uma forma mais incisiva, às necessidades crescentes dos usuários. De fato, um bom planejamento começa por ser fundamental para se garantir o cálculo de um correto orçamento para o cliente e, de seguida, a execução de um transporte eficiente. Durante essa execução, um bom sistema TMS deverá fazer um acompanhamento do que está acontecendo, de forma proativa e não reativa, alertando os usuários para os possíveis desvios que estão acontecendo face ao planejado. Após a execução do transporte, é fundamental o registro do histórico, para, assim, poder calcular os indicadores que permitirão um ajuste mais fino do processo. É o sistema se auto-otimizando.

Portanto, a distância que separa um TMS “básico”, que apenas emite uma lista mais ou menos completa dos transportes a serem feitos daquilo que hoje é disponibilizado ao mercado, é enorme. O exemplo da roteirização permite executar, de forma dinâmica e recorrendo às tecnologias mais avançadas, as rotas de distribuição. Porém, não fica por aí. Por meio da integração de componentes de telemetria, também é possível controlar eventos, como a abertura e fecho de portas (e a sua possibilidade ou não dentro de janelas temporais), o perfil da atitude do motorista ao volante, dados reais de abastecimento de combustível, manutenção etc. É um mundo novo que está evoluindo e é fundamental esses sistemas estarem sempre alinhados com a evolução das necessidades das empresas.

*Jorge Serrano Pinto é especialista em Logística da Divisão de Aplicativos da Sonda IT.



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